Dia 16: Jordânia - Kerak, Mar Morto e Monte Nebo

A dois dias do final da viagem, continuei a rumo a norte pela antiga King’s Highway até Madaba, uma cidade maioritariamente cristã. Pelo caminho faria paragens em Kerak para visitar um antigo castelo de cruzadas, no Mar Morto para literalmente flutuar, e no Monte Nebo para ter uma vista fenomenal sobre a terra santa.

Depois de partirmos de Petra seguimos pela região de Tafilah. O nosso líder de grupo, o Faisal, contávamos anedotas dos tafilah, não muito diferentes das nossas anedotas dos alentejanos.

A meio caminho de Kerar, fizemos uma curta paragem numa estação de serviço. com vista sobre o vale de Dana, uma reserva natural.

Castelo de Kerak (Al Karak)

Um dos três maiores castelo de toda a Jordânia. Este foi construído pelos cruzadas em 1132 e 46 anos depois conquistado pelo exército de Saladino que combatia a invasão cruzada.

Séculos depois teve um papel importante na defesa da rota das caravanas entre o Egipto e Damasco na Síria, e na defesa da rota dos peregrinos entre Damasco e Meca, cidade santa dos muçulmanos.

Al Karak é uma cidade que já existe desde a Idade do Ferro. Era uma cidade importante para o povo moabita. Na Bíblia, é mencionada pelo nome de Qer Harreseth e já se encontrava sobre o domínio dos Assírios.

Mais tarde vieram os Nabateus e depois os Romanos tomaram conta da região até ser propriedade dos cristãos, e finalmente domínio dos muçulmanos até aos nossos dias.

O castelo conta com inúmeras passagens subterrâneas, corredores apertados, salas, salões, etc...
o que o torna-o num verdadeiro labirinto.


Algumas pedras de antigos edifícios foram aproveitadas para erigir rapidamente o castelo. Neste caso, é possível um bloco com parte de um relevo de um deus nabateu. Possivelmente vindo de um antigo templo no local.



Uma das inúmeras salas que os os corredores escuros nos levam.


A arquitectura do castelo conta com influências europeias, muçulmanas, bizantinas.

Tive oportunidade de explorar o castelo por 2 horas, havia muita coisa para ver e decerto que muita coisa ficou por ver.


O castelo ainda conta com um museu onde podemos ver peças desde a Idade do Ferro, da ocupação moabita até à ocupação islâmica.

Quando dei por mim, o meu líder de grupo estava à minha procura. Todos já estavam na carrinha prontos para seguirmos à nossa próxima paragem, o Mar Morto.

Passámos do nível do mar (zero metros) para 423 metros abaixo do nível do mar.

A zona do Mar Morto é a mais profunda da terra firme. O oxigénio que lá se respira é 3 vezes superior, e a água daquele mar é 8,6 vezes mais salgada que os oceanos.

Eu literalmente flutuava na água, e nadar de barriga para baixo era desaconselhado, pois tínhamos de fazer mais força para nos podermos levantarmos e havia o risco de afogamento. Além do mais, a água era tão salgada que uma gota de água na língua parecia ácido.

Nada vivo nada naquelas águas.

As australianas cobertas de lama negra do Mar Morto...
supostamente com propriedades que beneficiam a pele.

Após um par de horas partimos em direcção à nossa última paragem, o Monte Nebo, antes de chegarmos a Madaba.

Paisagem muito frequente na Jordânia.

O Monte Nebo foi a última morada de Moisés quando este conduziu o povo judeu para fora do Egipto. Após quarenta anos a vaguear pelo deserto, Moisés e o seu povo subiram ao Monte Nebo onde avistaram a terra prometida, a terra do leite e do mel, pela primeira vez. Moisés com uma idade avançada nunca colocou os pés na terra prometida, tendo morrendo neste monte.

Memorial de Moisés
Monte Nebo

No monte podemos visitar as ruínas de uma antiga igreja do período bizantino.
Onde ainda resta um chão de mosaicos, tal como a igreja em Petra.




A partir do monte é possível ver numa só paisagem a terra onde a maior parte das histórias do Velho e Novo Testamento aconteceram. A terra onde Jesus nasceu, pregou, onde se exilou durante 40 dias no deserto e depois morreu e ressuscitou.

Um marco em pedra marca as direções desses locais sagrados.
Belém, Jerusalém, Jericó, Hebron, Mar Morto...

A terra prometida,
a terra santa,
uma terra que originou conflitos
entre os homens ao longo dos séculos.

Réplica da tenda de Moisés.

No Monte Nebo cruzei-me com dois senhores idosos vindos do Iraque que julgavam que ali iriam encontrar o túmulo de Moisés... Os senhores estavam desiludidos, pois o túmulo de Moisés nunca foi encontrado e não se sabe ao certo se alguma vez ali existiu. Ali, só existe um memorial.

Chegámos a Madaba, já o sol estava a pôr-se. Por isso fomos deixar as coisas ao hotel, jantámos por ali no centro da cidade e fomos dormir cedo. O dia tinha sido cansativo. Na manhã seguinte iria visitar alguns locais mais conhecidos de Madaba e há tarde iríamos de taxi até à capital jordana, Amã.

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