Dia 13: Jordânia - Aqaba e Wadi Rum

O acordar num novo país... não foi estranho, pois Aqaba era muito semelhante a qualquer cidade costeira no sul de Portugal. A cidade em si fica lado a lado com a cidade israelita de Eilat.

Não iria ficar naquela cidade por muito tempo, à tarde tínhamos um transporte para o deserto de Wadi Rum, a poucos quilómetros a norte de Aqaba.

Com Israel ali mesmo ao lado, esta bandeirola,
nada pequena e visível de quase toda a parte de Aqaba, marca a soberania jordana.

Mar Vermelho, do outro lado Israel.

Baía de Aqaba

Dormir... foi o que menos fiz durante a viagem. :)

Esta é para os viciados em FarmVille...

Um dos sítios que tive oportunidade de visitar no curto espaço de tempo que estive em Aqaba, foi o Castelo de Aqaba, ou Forte dos Mamelucos.

O Forte Mameluco, um dos principais pontos históricos de Aqaba e originariamente um Castelo dos Cruzados, foi reconstruído pelos mamelucos no século XVI.

Hoje em dia, um entrelaçado de corredores, muros, quartos e portas que vão dar a nenhum lado. É fácil perder-se neste labirinto centenário.



Ao final da manhã seguimos rumo ao norte. O nosso destino era o deserto de Wadi Rum, e iríamos fazer um percurso de todo-o-terreno, visitar os cantos de um locais mais fantásticos do nosso planeta. Passaríamos a noite ao relento sob as estrelas num acampamento beduíno.

Wadi Rum

Este é um local fenomenal, intemporal
e praticamente intocado pelo homem e pelas suas forças destrutivas.
Aqui, foram as condições meteorológicas e o vento que esculpiram estes arranha-céus imponentes, descritos com elegância por T.E. Lawrence como “vastos, ecoantes e como deuses”.

Por aqui passou o famoso oficial britânico, T.E. Lawrence, mais conhecido por Lawrence da Arábia. Aqui estabeleceu base durante a revolta árabe durante os anos de 1917-18.

Formação rochosa conhecida como
"Os sete pilares da sabedoria" (The Seven Pillars of Wisdom).

O nome foi dado à formação rochosa nos anos 80 por influências do livro de Lawrence com o mesmo nome.

O centro de visitas faz lembrar um cenário de um filme de cowboyadas lá de Hollywood... dá-nos a sensação de que a qualquer momento ouviríamos "Action!"

No centro de visitas esperavam-nos os jipes que nos levariam deserto adentro.

O jipe tinha uma suspensão fantástica, que fazia lembrar o canguru do parque de diversões.
O nosso primeiro destino no deserto foi a Nascente de Lawrence (Lawrence's Spring).


No local encontram-se inscrições com centenas de anos, desenhadas pelos antigos povos mercantes que atravessavam o deserto.

Nascente de Lawrence
Supostamente onde Lawrence da Arábia se abastecia de água.

Antes de prosseguirmos, parámos num acampamento beduíno onde conhecemos o sheik que nos iria dar guarida num dos seus acampamentos. Fomos oferecidos de um chá de boas vindas e depois o sheik acompanhou-nos o resto da viagem pelo deserto. Ele era responsável por 6 acampamentos ali naquele deserto.

Muito tráfego na estrada... :)

Os camelos, antigos transportes dos beduínos, usados noutros tempos para atravessar o deserto até terras longínquas. Hoje em dia servem sobretudo para transportar turistas, fornecer leite e carne. Com a criação das fronteiras, tornou-se difícil o deslocamento do povo beduíno pelo grande deserto da arábia.

Certa altura do dia o deserto e as suas majestosas e íngremes rochas são amareladas, ao pôr-do-sol tornam-se encarnadas.



A nossa segunda paragem foi para almoçar à sombra de um penhasco.



Os nossos motoristas beduínos prepararam a refeição à base de pão pita, verduras, pasta de grão-de-bico e frutas.


A nossa terceira paragem foi para irmos a um desfiladeiro onde se podiam ver gravuras pré-islâmicas. Nesse desfiladeiro, haviam "pardais" que se camuflavam da mesma cor das rochas rosa.

À entrada do desfiladeiro, uma figueira.
Fonte de alimento da bicharada que por ali vive.


Gravuras pré-islâmicas.
Vestígios dos povos nómadas que por ali passavam e procuravam refugio à sombra dos grandes penhascos.

E mais gravuras...

Wadi Rum

A grande duna.

A caminho do topo da grande duna,
pena não ter uma prancha de bodyboard comigo. :)

Surreal...

Passados meses notei que ainda tinha quilos de areia vermelha
debaixo das palmilhas dos ténis.

Gravuras das antigas caravanas de camelos que por ali passaram.

Ruínas da casa de Lawrence da Arábia.

Foto de grupo com o sheik.

Ponte de Burdah
Sim, sou eu lá em cima... glup... que vertigens!... :)

Rafeiro do deserto, nova espécie de Wadi Rum. heheh

A nossa última paragem do dia foi finalmente o local onde iríamos pernoitar sob as estrelas.

Não havia nada à volta a não ser as areias do deserto e os penhascos.

O acampamento encontrava-se entre um penhasco em V, bem protegido do vento.
Só que enquanto lá estive, o tempo estava bom.

O sheik também por ali ficou connosco. Nesta foto, Carolyn, a minha companheira de viagem australiana, estava a ensinar o sheik a usar a máquina fotográfica. Como o nosso grupo só tinha 2 homens e 7 mulheres, fiz questão de brincar com o sheik e elogiar as suas sete esposas. Ele disse logo "too many wives... too much trouble!" (em português, "demasiadas mulheres... demasiados problemas!").

Antes que caísse o pôr-do-sol, subimos a um monte ali perto. Lá em cima, pequenos monumentos erigidos pelos viajantes que por ali passaram.
Quem diz viajantes, diz turistas... como é óbvio.

Claro, que tive que fazer o meu.
Só para deixar a minha marca. :)

Penso que isto foi obra de alguém... senão é uma daquelas coincidências da natureza que nos surpreende. É que a rocha parecia mesmo uma caveira com olhos nas órbitas e tudo. :)

Pequenos monumentos erigidos por visitantes.

...e outros...

...e finalmente, este é o meu!
Giro, não é? :)

Depois da brincadeira, estava tudo apostos para assistir a um
grandioso pôr-do-sol em Wadi Rum.

As fotos que tirei não fazem justiça, senti-me realmente pequeno perante tamanho espectáculo. Todo o deserto mudou de cor.

E a foto vencedora de toda a viagem, para mim é esta.
O sheik apareceu mesmo no momento certo.

Assim terminava um dos mais bonitos pôr-do-sois que já assisti em toda a minha vida.
Arrisco aqui fazer sobressaltar a minha veiazinha mais "geek". Fez-me lembrar a cena do filme da Guerra das Estrelas, do pôr-do-sol no planeta deserto de Tatooine.

A noite a cair sobre o nosso acampamento.

O nosso jantar a ser preparado. Frango assado de uma forma especial. Era feito um buraco na areia, e lá dentro ardiam as brasas. Era colocada a dupla grelha com o frango, posta uma tampa de metal e literalmente enterravam com areia por cima. Um dos melhores churrascos à face da Terra... yum yum...

Os restos do jantar foram deixados fora do acampamento, iam servir de refeição às raposas do deserto. A noite rapidamente chegou e ficou completamente escuro. Milhares de milhões de estrelas enchiam o firmamento. Dormimos ao relento com mantas de lã bem quentes, pois à noite o deserto é frio.

Durante a noite acordei e as estrelas praticamente feriam-me os olhos como o sol. O silêncio era absoluto que fazia impressão aos meus ouvidos, mas rapidamente este silêncio foi quebrado pelo som das raposas a roerem os ossos do nosso jantar. Um dia completamente surreal e inesquecível.

No dia seguinte iríamos rumo a norte para a lendária cidade de Petra, hoje em dia eleita como uma das novas 7 maravilhas modernas.

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