
Os sítios que já tinha visto no dia anterior passei novamente mas muito mais rápido. Iria caminhar o dia inteiro e visitar sítios mais longe da cidade. Um deles seria o "Al-Deir" o mosteiro, que fica num monte a duas horas de caminhada.
O "al-Siq" (do árabe fossa) é um desfiladeiro estreito e sinuoso que vai dar directamente à cidade perdida de Petra e onde no final espreita "Al Khazneh" - o Tesouro.
Algumas partes do Siq são tão estreitas que as carroças puxadas por cavalos, para cima e para baixo, passam à rasquinha.
Ao longo do Siq encontram-se nichos onde os antigos habitantes prestavam o culto às suas divindades, e onde deixavam oferendas. Os deuses nabateus eram representados como simples blocos em nichos.
Relevo de antigos mercantes desgastado pelo tempo.Vêm-se partes de camelos e figuras humanas.
O Siq era a porta principal de Petra.
Al Khazneh, ou o Tesouro.No dia anterior já tinha passado por aqui, mas sem confusão, o cenário era diferente.
Agora sim, parecia estar a reviver a personagem de Indiana Jones em busca do Santo Graal... :)


As ruínas deste templo marcam os limites da cidade.A partir daqui seria sempre a subir e não havia ninguém pela frente.


As portas dos túmulos foram alargadas pelos beduínos que mais tarde fizeram dali a sua habitação, estábulos e armazéns.
Já com uma hora de caminhada não encontrei viva alma.Estava completamente sozinho e sentia-me fascinado pela paisagem.
A propósito, no ano anterior, um jovem americano também estava sozinho nas suas caminhadas e desapareceu. Mais tarde, uns bons tempos depois o seu corpo foi encontrado nos penhascos perto do Tesouro.

Quando parecia que o caminho não terminava, encontro uma estranha formação... podia jurar que era um leão, mas ao mesmo tempo parecia um elefante!
Se olharem bem para foto de cima... são capazes de ver umas formas no topo da rocha. Foi por isto que fiz o sacrifício de subir este monte numa caminhada de 2 horas. :)
Al-Deir, o "mosteiro"Antigo túmulo? Local de culto? Não se sabe ao certo.
Mas foi usado mais tarde pelos cristãos como mosteiro. Daí a sua alcunha.

Epá, ainda é maior que o Tesouro...dá para ter essa ideia pelo tamanhinho das pessoas lá em baixo...
Pessoas que chegaram muito depois de mim! ;)
Por momentos tive que me defender deste leão da montanha com aspecto pseudo-assassino...Quase me lambeu até à morte! ;)
Após um breve descanso ao pé do Al-Deir, resolvi descer. Ainda tinha metade de Petra para explorar. Faltava-me ir todos os outros cantos, aos Túmulos Reais, ao Monte do Sacrifício e às ruínas da igreja cristã Bizantina recentemente encontrada (1992).
Pela descida comecei a encontrar mais movimento. As senhoras beduínas levavam os seus burros monte acima, carregados de souvenirs, bebidas e outras coisas para serem vendidos ao longo do caminho aos turistas.
...mulas. Um ganha pão do povo beduíno.Haviam turistas que percorriam Petra montados nestes simpáticos animais. ;)

Interior de um dos túmulos reais...Que os turistas espanhóis julgam terem sido obra de extraterrestres. :)
A vista a partir dos túmulos reais.Do lado esquerdo da foto, o teatro romano, construído durante a sua ocupação.
e mulas dos beduínos que ali vivem do turismo.

Quando regressei ao centro da antiga cidade,esta já fervilhava de actividades culturais beduínas.
Tive de regressar ao mesmo local porque ia a caminho do Monte do Sacrifício. Era mais uma caminhada de 2 horas, e o calor tornava-se cada vez mais insuportável.
Eu e as minhas técnicas engenhosas de tirar fotos a mim mesmo.O que parece ser um castelo de areia mesmo ao meu lado, são os túmulos do outro lado da ravina... Qu'é pra não dizerem que isto foi tirada algures na praia do Porto Santo... ;)
Após uma longa escadaria deparei-me com dois caminhos diferentes sem sinalização. Sem saber para que lado ficava o Monte do Sacrifício e não ter encontrado alguém a quem pudesse perguntar, decidi seguir um deles.
Monte do Sacrifício!Onde eram sacrificadas criancinhas e virgens em honra dos deuses nabateus.
Ao chegar ao topo do monte percebi que tinha feito uma longa caminhada, perdido. Pois o Monte do Sacrifício reconhecível pelos seus obeliscos e ruínas do templo, estava do outro lado!
Lagarto azul que encontrei enquanto estava perdido...Ainda vi uns vermelhos/rosados da mesma espécie... talvez as fêmeas? ;)
Enquanto tentava encontrar de novo o caminho de regresso, encontrei um pequeno túmulo no meio do nada. Só esperava não ter um encontro com escorpiões, serpentes... além dos grandes lagartos.
A foto no topo do monte ao lado do Monte do Sacrifício.Valeu a pena perder-me durante quase 4 horas (ida e volta!...)
No topo do monte, um cavalo... mas não vi sinais do dono.Devia haver por ali um caminho mais fácil, e quase me matei a subir o que parecia ser um estreito ribeiro seco. :)
Já lá em baixo de novo, fui visitar as ruínas de uma igreja cristã que tinha sido recentemente escavada.
Do outro lado estavam as ruínas do Grande Templo,ou chamado de Templo dos Leões Alados, que tinha visitado no dia anterior.
Piso da igreja Bizantina em mosaicos.Haviam vestígios de que a igreja tinha sido destruída por um incêndio, e progressivamente destruída por vários terramotos frequentes na região.
152 papiros foram encontrados durante as escavações em 1993.
A igreja foi construída por volta do ano de 450 d.C., durante o período do Império Bizantino. Nessa altura a cidade de Petra tinha sido completamentearrasada por um poderoso terramoto 100 anos antes.
A visita à igreja Bizantina foi a minha última antes de regressar ao hotel. Já eram perto das 18h, o que significavam pelo menos 10 horas sempre a andar, sem contar com as paragens. Por essa altura o cansaço já apertava e já tinha as virilhas quase em carne viva. Tinha sido uma autentica maratona.Antes de ir definitivamente embora de Petra, deixei-me ficar sentado em frente ao Tesouro e contemplar aquele monumento por uma última vez. Afinal de contas, é a face de Petra pelo mundo fora.
No dia seguinte tinha como destino a cidade de Madaba, uma cidade onde a população é maioritariamente cristã num país de maioria muçulmana. Pelo caminho iria visitar em Kerak, flutuar nas águas do Mar Morto e subir o Monte Nebo, a última morada de Moisés. Estava já em terra santa.






















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